Minaçu, cidade no interior de Goiás, virou peça chave na disputa global por terras raras e no confronto comercial entre EUA e China. 
A China controla grande parte da mineração mundial de terras raras e tem quase o monopólio do processamento desses minerais. No ano passado, Pequim restringiu exportações em retaliação às tarifas de Trump, intensificando a busca por fontes alternativas ao redor do mundo, e foi isso que trouxe os americanos até aqui.
A mineradora Serra Verde afirma ser a única operação fora da Ásia extraindo terras raras pesadas em escala. Recentemente, foi adquirida por US$ 2,8 bilhões pela empresa americana USA Rare Earth (que tem participação minoritária do governo dos EUA), e recebeu mais de US$ 500 milhões em empréstimos de uma agência pública americana.
No centro dessa disputa estão o disprósio e o térbio, elementos raros usados em ímãs de mísseis guiados, veículos elétricos e turbinas eólicas.
Mas o acordo também levanta questões: especialistas apontam que o contrato de 15 anos da Serra Verde com uma entidade apoiada pelos EUA pode enfraquecer o poder de barganha do Brasil nas negociações com Washington, justamente em um momento de relações tensas entre os dois países. O tema já entrou até na disputa eleitoral brasileira, com Lula defendendo soberania nacional sobre os minerais, enquanto seu opositor Flávio Bolsonaro defende maior cooperação com os EUA.
Minaçu, a town in the interior of Goiás, has become a key player in the global rare earths race and in the trade standoff between the US and China. 
China controls much of the world's rare earth mining and holds a near-monopoly on processing these minerals. Last year, Beijing restricted exports in retaliation for Trump's tariffs, intensifying the search for alternative sources around the world, and that's what brought the Americans here.
Mining company Serra Verde claims to be the only operation outside Asia extracting heavy rare earths at scale. It was recently acquired for $2.8 billion by American company USA Rare Earth (in which the US government holds a minority stake), and received more than $500 million in loans from a US public lender.
At the center of this dispute are dysprosium and terbium, rare elements used in magnets for guided missiles, electric vehicles and wind turbines.
But the deal also raises concerns: experts point out that Serra Verde's 15-year contract with a US-backed entity could weaken Brazil's bargaining power in negotiations with Washington, at a moment of tense relations between the two countries. The issue has even entered Brazil's election race, with Lula advocating national sovereignty over the minerals, while his opponent Flávio Bolsonaro favors closer cooperation with the US.
For the Financial Times
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